<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546</id><updated>2011-12-26T10:38:10.621-02:00</updated><category term='Assuntos Diversos'/><category term='Pensamentos Crônicos'/><category term='Poemas outros'/><category term='Transcriações'/><category term='Lituraterra'/><title type='text'>reflexões::abdomentais</title><subtitle type='html'>inquietações diversas mais alguma coisa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-6863284498769204275</id><published>2011-05-02T22:36:00.001-03:00</published><updated>2011-05-02T22:36:32.421-03:00</updated><title type='text'>aviso</title><content type='html'>somente vim avisar que voltei a publicar, agora no reflexos do deserto &lt;a href="http://reflexosdodeserto.blogspot.com/"&gt;http://reflexosdodeserto.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obrigado a todos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-6863284498769204275?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/6863284498769204275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=6863284498769204275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6863284498769204275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6863284498769204275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/05/aviso.html' title='aviso'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-3347587336536744333</id><published>2011-03-18T10:46:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T12:48:39.080-03:00</updated><title type='text'>CARTA ABERTA - adendo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não postei nestas semanas de propósito. Quis esperar a reação de quem leu o texto anterior. Se olhar para o número de comentários, mais uma vez fui derrotado, e desta vez por uma minoria numérica que é o resultado de uma maioria numérica. Suspeito que o “agradar” está ganhando estatuto científico e as pessoas preferem se abster de qualquer comentário para não serem “desagradáveis”. Ou simplesmente por preguiça - isto sim, algo que tenho em boa conta e diante do qual reconheço a ineficiência de qualquer argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que não acredito não significa que eu seja contra. Eis uma diferença basilar. Obviamente que mudar de conduta pode ser algo fundamental. Por outro lado é a situação conveniente para a formação de alguns tiranos moralistas que fazem de tudo para você se sentir culpado. Alguns apelam ao sensacionalismo, outros se colocam como vítimas, outros como modelos de virtude, outros como donos da verdade. É este o aspecto principal que critico nos discursos da sustentabilidade, da vida saudável, do controle científico de nosso cotidiano, entre outros. Ninguém quer ser moralista, mas todos somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito para dizer que não vou mais postar aqui. Cansei de discutir nessa profundidade de piscina. Vou me dedicar com mais afinco às leituras e à reflexão. Continuarei escrevendo, mas o farei em meu caderno, e sem o compromisso de ter que publicar com frequência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço aos poucos leitores do blog pela atenção e leitura. Nos encontramos por aí.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-3347587336536744333?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/3347587336536744333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=3347587336536744333&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3347587336536744333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3347587336536744333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/03/carta-aberta-adendo.html' title='CARTA ABERTA - adendo'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-4768260277756599156</id><published>2011-03-04T15:27:00.000-03:00</published><updated>2011-03-04T15:27:00.599-03:00</updated><title type='text'>CARTA ABERTA II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando você está imerso num lugar em que a maioria numérica é composta por idiotas, a democracia, assim como a tirania, se torna algo extremamente perigoso. Diante disso estou derrotado, fracassado. Vejo essa onda do bom-mocismo-politicamente-correto me afastar cada vez mais do convívio dito "social". Não dá para, nesse contexto, estabelecer alguma interlocução séria. Como debater a minha desconfiança em relação a verdades "auto-evidentes"? Não acredito em pessoas éticas, não acredito em sustentabilidade, não  acredito no discurso da vida saudável, não acredito que um controle  científico de nosso cotidiano vá resolver alguma coisa. Como afirmar meu ceticismo sem ser taxado preconceituosamente de ateu, demoníaco, niilista, pós-moderno, alienado? Enfim, ser simplesmente humano nesses dias está difícil... aliás, sempre foi difícil...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Várias vezes me  pergunto por que continuo dizendo alguma coisa. Não dá mais pra ter interlocução, um debate  sério. Quando você se opõe ou questiona o posicionamento de outra pessoa,  ela não vai parar para repensar seus fundamentos, debater seriamente. Ela implesmente vai acatar ainda mais em suas convicções e vai lhe criticar de todas as maneiras, fazendo de você uma espécie de inimigo. Estou farto disso. Os fanatismos continuam. E "calar-me" dainte desse cenário não encaro como total derrota... Afinal, o não-dito pode se tornar barulhento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Se continuo dizendo alguma coisa é porque não vou me fazer de vítima. Se assim fizesse, estaria agindo como vocês, o que me dá arrepios. Não sou vítima, sou apenas um derrotado pelas consequências da força numérica. E faço da minha derrota a minha virtude, pois nela eu tenho plena certeza e segurança de que não estou sendo um de vocês. E aí está minha vitória, muito maior e valiosa. Se continuo dizendo alguma coisa é porque vou continuar em meu caminho errante e desértico. Dizer coisas ao vento e à areia pode ser muito mais frutífero. E os ecos se encarregam do resto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-4768260277756599156?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/4768260277756599156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=4768260277756599156&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/4768260277756599156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/4768260277756599156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/03/carta-aberta-ii.html' title='CARTA ABERTA II'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-1386592383614583165</id><published>2011-02-17T22:26:00.001-02:00</published><updated>2011-02-18T11:16:30.630-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>ACEITAR AMIGOS - ADENDO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma demonstração sincera de amizade é algo que me desconcerta. Por alguns momentos saio desse marasmo cético e penso na possibilidade de haver algum sentido nisso tudo – universo, mundo, existência –, ao que renego com minha desconfiança em seguida. A amizade pode se tornar umas das coisas mais nobres no ser humano; e que por ser nobre, está entre as categorias mais raras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Como estou de mudança, pode ser que até adaptar-me fique um tempo, que espero não ser longo, sem postar.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-1386592383614583165?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/1386592383614583165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=1386592383614583165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/1386592383614583165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/1386592383614583165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/02/adendo-aceitar-amigos.html' title='ACEITAR AMIGOS - ADENDO'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-3477308148044900218</id><published>2011-02-14T22:04:00.002-02:00</published><updated>2011-02-15T17:32:18.190-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>ACEITAR AMIGOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para designarmos o início de uma amizade utilizamos a expressão “fazer amigos”; do mesmo modo se passa com outras línguas, como o inglês: “to make friends”, o francês: “faire des amis”, o espanhol: “hacer amigos”. É uma expressão que me intriga, visto que “fazer” implica algo que exige método, etapas, protocolos, e mais do que tudo isso: manipulação. Quando fazemos uma escultura, por exemplo, moldamos o material até que ele adquira a forma que nos agrada. E quando fazemos amigos? Durante minha vida tive pouquíssimos, diria, raríssimos, amigos – alguns dedos de uma única mão seria mais do que o suficiente para conta-los. E nessas raras amizades não me lembro de tê-las feito – elas simplesmente, ou melhor, elas complexamente aconteceram. Talvez por essa inexperiência o assunto me é tão complicado. Se por um lado sempre tive dificuldades em lidar com pessoas – sou extremamente tímido, desengonçado em algumas situações, falo pouco, não sei e não tenho jeito para gracejos – por outro as pessoas é que sempre tiveram dificuldades em lidar comigo. Algumas ainda quiseram mudar o meu jeito de ser, quiseram me fazer falar mais, rir mais, enfim – quiseram elas me fazer amigo? Talvez por isso nenhuma dessas tentativas proporcionou uma relação duradoura. Acredito que amizade está mais para aceitação. Desconfio daquele que faz amigos e os tem aos montes. Falar rebuscadamente da amizade, da relação mútua que nela existe, florear com os mais belos sentimentos, é matéria para charlatães e retardados, ou para aqueles que almejam a admiração através das lágrimas emocionadas de alguma leitora também ingênua. Aceitar o outro não é algo banal, implica discussões, crises, brigas, assim como confissões, afetos, admiração. O que há de mais nobre na amizade é a confiança da pessoa que temos em boa estima, mesmo sendo tão diferente. Um golpe a intolerância.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-3477308148044900218?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/3477308148044900218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=3477308148044900218&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3477308148044900218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3477308148044900218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/02/aceitar-amigos.html' title='ACEITAR AMIGOS'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-4259823700636149360</id><published>2011-02-07T22:02:00.000-02:00</published><updated>2011-02-07T22:36:33.816-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>DAS NOSSAS CONTRADIÇÕES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos contradições. No peito diz sim, na cabeça diz não, no rosto diz talvez, e o corpo todo vive. Para lidar com suas contradições alguns fazem delas uma virtude – embelezam e enobrecem-nas como se fossem privilégios dos mais interessantes. Outros buscam resolver ou entender suas contradições – fazer delas algo coerente. Em ambos os casos, o resultado pode ser tentativas de realizações artísticas, poéticas, reflexivas, busca por apoio em crenças, terapias, dietas, prazeres. Em ambos os casos, um ato contra si mesmo. Quando conseguimos a sensação de controle sobre nossas contradições, chegamos a outras. E assim temos a sensação de andarmos perdidos, à deriva, vítimas de nossas contradições. Quando encontramos uma saída, outra selva se abre a nossa frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-4259823700636149360?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/4259823700636149360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=4259823700636149360&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/4259823700636149360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/4259823700636149360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/02/das-nossas-contradicoes.html' title='DAS NOSSAS CONTRADIÇÕES'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-3760788835429628523</id><published>2011-02-03T11:29:00.001-02:00</published><updated>2011-02-03T11:31:18.789-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas outros'/><title type='text'>UMA MENSAGEM IMPERIAL, de Franz Kafka</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Eis aí um breve conto de Franz Kafka que ao ler fiquei de cabelos, se os tivesse, em pé. Boa leitura.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;__________&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma mensagem imperial&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de Franz Kafka&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O imperador – assim consta – enviou a você, o só, o súdito lastimável, a minúscula sombra refugiada na mais remota distância diante do sol imperial, exatamente a você o imperador enviou do leito de morte uma mensagem. Fez o mensageiro se ajoelhar ao pé da cama e segredou-lhe a mensagem no ouvido; estava tão empenhada nela que o mandou ainda repeti-la no seu próprio ouvido. Com um aceno de cabeça confirmou a exatidão do que tinha sido dito. E perante todos que assistem à sua morte – todas as paredes que impedem a vista foram derrubadas e nas amplas escadarias que se lançam ao alto os grandes do reino formam um círculo – perante todos eles o imperador despachou o mensageiro. Este se pôs imediatamente em marcha; é um homem robusto, infatigável, estendendo ora um, ora outro braço, ele abre caminho na multidão; quando encontra resistência aponta para o peito onde esta o símbolo do sol; avança fácil como nenhum outro. Mas a multidão é tão grande, suas moradas não têm fim. Fosse um campo livre que se abrisse, como ele voaria! – e certamente você logo ouviria a esplêndida batida do seu punho na porta. Ao invés disso porém – como são vãos os seus esforços, continua sempre forçando a passagem pelos aposentos do palácio mais interno; nunca irá ultrapassá-los; e se conseguisse nada estaria ganho: teria de percorrer o pátio de ponta a ponta e depois dos pátios o segundo palácio que os circunda; e outra vez escadas e pátios; e novamente um palácio; e assim por diante; durante milênios; e se afinal ele se precipitasse dos mais externos dos portões – mas isso não pode acontecer jamais, jamais – só então ele teria diante de si a cidade-sede, o centro do mundo, repleto da própria borra amontoada. Aqui ninguém penetra; muito menos com a mensagem de um morto – Você no entanto está sentado junto à janela e sonha com ela enquanto a noite chega.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;* Esse texto foi retirado do site&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;http://www2.ufpa.br/ceg2005/webceg/tc20010411.htm&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-3760788835429628523?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/3760788835429628523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=3760788835429628523&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3760788835429628523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3760788835429628523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/02/uma-mensagem-imperial-de-franz-kafka.html' title='UMA MENSAGEM IMPERIAL, de Franz Kafka'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-8244612541293890488</id><published>2011-01-31T22:01:00.000-02:00</published><updated>2011-01-31T22:20:46.292-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>CONTRA A NECESSIDADE DE JUSTIFICATIVAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existe alguns espíritos fascistas cuja mentalidade academicista predomina, mesmo que a neguem com toda veemência, como sempre fazem, e projetam a &lt;i&gt;necessidade de justificativa&lt;/i&gt; para tudo e para todos. Se gosto de determinado estilo de filme, devo para eles ter em mãos a &lt;i&gt;justificativa coerente&lt;/i&gt; do porque gosto desse estilo e não de outro. Se gosto de ler Poesia, devo ter uma justificativa coerente para isso. Dentro de um âmbito acadêmico é comum e até mesmo necessário justificar e sustentar determinado posicionamento teórico – isso permite pensar em que medida tal teoria contribui para o que se propõe realizar, quais são suas limitações e no que ela se difere das outras; o mesmo vale para aqueles que não adotam nenhuma teoria ou corrente de pensamento em específico. Mas no cotidiano esses espíritos fascistas cobram de você justificativas de seus gostos, comportamentos e atitudes. E, mais grave ainda, a partir dessa situação criam morais, éticas e padrões de conduta nos quais quem não se enquadra (ou não sustenta coerentemente sua justificativa), é taxado de ignorante, despreocupado ou mesmo alienado, por esses intolerantes. Exemplifico a partir desse absurdo de ter que justificar ideologicamente o por quê me alimento de determinado modo, ou seja, de uma ética da boa alimentação. Não me sinto na – e não tenho a – obrigação de lhe dar satisfação do por quê como carne gorda – simplesmente gosto. E daí? Quer trocar receitas? Tenho várias... Também gosto de frituras, arroz, feijão, queijo, carne vermelha, de frango, peixe e porco, gosto de alface, verduras e detesto tofu. Por quê? Porque sou assim. Não me peça coerência; deixo isso pra você. Ninguém se torna mais inteligente porque se alimenta de determinado modo – nesse sentido, sinto informar, mas alguns filósofos e moralistas lhe engaram. Se assim fosse, seria mais conveniente parar de estudar e começar a comer mais alfafa. Uma coisa é ter hábitos saudáveis em vista de um bem estar – e a noção de bem estar pode ser questionável –, outra coisa é fazer disso uma moral, uma ética, um padrão de conduta projetando a ilusão de que vale para tudo e para todos. A mim, isso é sintoma de intolerância, de um fascismo, arrisco dizer, pós-moderno.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-8244612541293890488?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/8244612541293890488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=8244612541293890488&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8244612541293890488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8244612541293890488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/01/contra-necessidade-de-justificativas.html' title='CONTRA A NECESSIDADE DE JUSTIFICATIVAS'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-5285385803130722687</id><published>2011-01-24T22:15:00.006-02:00</published><updated>2011-02-10T22:21:45.871-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>CARTA ABERTA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caro(a) leitor(a),&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aviso para que não busque por verdades nessas linhas, pois não tenho nenhum compromisso com elas. Sabedoria? Não a tenho em bom preço. O que é sabedoria senão fazer-se compreender pelo outro através de uma (ou mais) descoberta(s)? Saber não é o mesmo que conhecer e desta condição para o erro o caminho é rápido. Poupo-lhes o trabalho, portanto, de refutar essas linhas. Elas mesmas já o fazem. Essas linhas são apenas veleidades de alguém feito de matéria e &lt;i&gt;esprit&lt;/i&gt;; de alguém que tem pleno conhecimento dos limites de seus sentidos, crença e razão. Essas linhas estão aí apenas para divertir-me e livrar-me desse abismo envelhecido e quase esfacelado à minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa leitura e divertimento.&lt;br /&gt;Um afetuoso abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-5285385803130722687?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/5285385803130722687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=5285385803130722687&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5285385803130722687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5285385803130722687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/01/carta-aberta.html' title='CARTA ABERTA'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-4268688648712479269</id><published>2011-01-17T22:27:00.000-02:00</published><updated>2011-01-17T22:35:37.324-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lituraterra'/><title type='text'>ALBERTO CAEIRO LIBERTADOR DE REBANHOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentre os vários heterônimos de Fernando Pessoa, dois são os que nutro maior interesse: Bernardo Soares, o ajudante de guarda-livros cheio de desassossego diante da existência e da vida; e Alberto Caeiro, o guardador de rebanhos, sendo da poesia deste que vou fazer um breve comentário. A origem de seu nome é bastante curiosa – o nome Caeiro pode ser visto como uma derivação de “cal”, sugerindo a ideia de brancura e suas derivações: vazio, pureza. Outros apontam uma semelhança entre o nome do heterônimo com o do poeta Mário de Sá-Carneiro, amigo e de Fernando Pessoa, além de companheiro de revista, (ambos editaram a revista Orpheu, por exemplo), vendo nessa semelhança uma espécie de homenagem: alguns dizem que Caeiro é Carneiro sem a “carne”, ou seja, sem a dimensão carnal, elevou-se ao pensamento. Mais interessante do que especular sobre o nome do heterônimo é falar de sua poesia. Não é a toa que no texto “A origem dos heterônimos”, uma carta de Fernando Pessoa endereçada à Adolfo Casais Monteiro, Pessoa coloca Caeiro na posição de mestre, inclusive seu, estabelecendo algumas relações temáticas entre os heterônimos ( e aí, como muitos, me pergunto se Fernando Pessoa também não seria outro heterônimo). A poesia de Caeiro é visceral, antimetafísica. Enxerga o mundo como ele aparece diante de seus olhos, o que proporciona uma aparente simplicidade. Aponta com esse olhar a falta de sentido do mundo e encara isso de frente. Uma espécie de estoico e cínico que encara o devir heraclitiano com naturalidade. Alberto Caeiro não é racionalista, mas sensualista – entende o mundo ao redor através de seus sentidos. A matéria é o que faz o mundo e o universo, nada mais. Ir além disso é enganar-se: “Pensar é estar doente dos olhos”. Sim, o pensamento deturpa o mundo, a realidade, pois o simples gesto de nomear “mundo” e “realidade” já é uma espécie de deturpação. Dentre seus vários poemas, retomo um que é dos meus preferidos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O luar através dos altos ramos,&lt;br /&gt;Dizem os poetas todos que ele é mais&lt;br /&gt;Que o luar através dos altos ramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para mim, que não sei o que penso,&lt;br /&gt;O que o luar através dos altos ramos&lt;br /&gt;É, além de ser&lt;br /&gt;O luar através dos altos ramos,&lt;br /&gt;É não ser mais&lt;br /&gt;Que o luar através do altos ramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poetas todos ao dizerem que o luar através dos altos ramos é mais do que isso deturpam essa realidade ao atribuírem ali sentido, qualidades, dentre outras categorias, que residem no poeta e não naquilo que ele olha – a qualidade está no olhar, não no olhado. Assim se passa com a humanidade, que atribui sentido naquilo que não há: sozinhos estamos à deriva de uma estupidez cósmica e diante desse mal estar procuramos nos aliviar. Uns encontram deus(es), outros a ciência, outros a Poesia, outros a natureza. E diante disso ninguém está mais correto, nem melhor. É um antirracionalismo vindo das vísceras. Um poema que ilustra tudo isso é o que segue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dia excessivamente nítido,&lt;br /&gt;Dia em que dava a vontade de ter trabalhado muito&lt;br /&gt;Para nele não trabalhar nada,&lt;br /&gt;Entrevi, como uma estrada por entre as árvores,&lt;br /&gt;O que talvez seja o Grande Segredo,&lt;br /&gt;Aquele Grande Mistério de que os poetas falsos falam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi que não há Natureza,&lt;br /&gt;Que Natureza não existe,&lt;br /&gt;Que há montes, vales, planícies,&lt;br /&gt;Que há árvores, flores, ervas,&lt;br /&gt;Que há rios e pedras,&lt;br /&gt;Mas que não há um todo a que isso pertença,&lt;br /&gt;Que um conjunto real e verdadeiro&lt;br /&gt;É uma doença das nossas ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Natureza é partes sem um todo.&lt;br /&gt;Isto é talvez o tal mistério de que falam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isto o que sem pensar nem parar,&lt;br /&gt;Acertei que devia ser a verdade&lt;br /&gt;Que todos andam a achar e que não acham,&lt;br /&gt;E que só eu, porque a não fui achar, achei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Alberto Caeiro não esteve para além do bem e do mal, esteve próximo disso. Um poeta humano, demasiado humano. Diria mais, uma poesia humana, demasiado humana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-4268688648712479269?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/4268688648712479269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=4268688648712479269&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/4268688648712479269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/4268688648712479269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/01/alberto-caeiro-libertador-de-rebanhos.html' title='ALBERTO CAEIRO LIBERTADOR DE REBANHOS'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-1651569523101486807</id><published>2011-01-13T22:00:00.002-02:00</published><updated>2011-01-13T22:04:07.087-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>DITADURA DO HIPOCONDRÍACO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;NÃO SOU FUMANTE NEM POR ISSO SOU HIPOCONDRÍACO. Até agora não consigo afirmar com veemência que sou a favor da lei que proíbe o consumo de cigarros em alguns lugares públicos e fechados. Se estou num restaurante e alguém por perto acende um cigarro, não me sinto incomodado. Tudo tem um preço, inclusive a liberdade. Prefiro arriscar os preços da liberdade do que as amarras de um fascismo hoje em dia trajado na figura dos bom-mocinhos-e-mocinhas que gritam por um mundo melhor. Falar mal do cigarro é um lugar comum e, por isso, fácil. Mais do que isso, uma hipocrisia do fascismo hipocondríaco. Aquele que quer fazer uma imagem legal de si, critica os males do cigarro, de sua indústria, e tem cem por cento de êxito. Falar mal do cigarro e da indústria do tabaco é um ponto de encontro das pessoas éticas de hoje. Como não sou ético e não acredito nem confio em pessoas que se dizem éticas, retomo esse assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da proibição das propagandas nos meios de comunicação, hoje critica-se a maneira como são divulgados os cigarros nas lojas de conveniência e padarias: fala-se das embalagens coloridas, cartazes e luminosos chamativos, que ficam perto dos chocolates, balas, entre outros doces. Para alguns, isso é um aliciamento, um estímulo para as crianças quando vão comprar um doce. A mim, é um sintoma dos recalcados éticos bom-mocinhos, que escondem a vontade de um trago. Mais perverso do que o cigarro ao lado dos doces, são os próprios doces em suas embalagens coloridas. Não seria isso também uma forma implícita e sutil de aliciamento? Por que ninguém ainda falou sobre isso? E espero que ninguém fale, para evitar futuras proibições... Nesse sentido, aos olhos de um hipocondríaco a indústria alimentícia pode se tornar perversa – mascara os produtos em embalagens coloridas, manipulam sabores para agradar o maior número de pessoas, e colocam tudo isso da maneira mais atrativa possível – exatamente como a indústria do cigarro. E ainda por cima a venda é permitida para qualquer idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parcela da responsabilidade pela perversidade das propagandas de cigarro é de vocês, nobres hipocondríacos. E quanto mais encurralarem os meios de propaganda, mais sutil e insinuante elas vão ficar e, com isso, segundo vocês, mais perversas. Alguns ainda podem rememorar a época de quando eram permitidas as propagandas nos meios de comunicação, quando o cigarro aparecia como sendo um produto legal, para gente legal. Não será isso também perverso? Então pergunto se algo similar, nos dias de hoje, não se passa com os produtos light, que são vendidos como sendo algo (mais) saudável para gente bonita. Ninguém até agora discutiu o processo de manipulação e industrialização pelo qual esses produtos passam, e quais os efeitos que podem causar no organismo de quem os consome. E espero que pensem duas vezes antes de questionar, para evitar mais futuras proibições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo permite a formação dessa moralidade chata (desculpe a redundância), tão comum, que é a moral do saudável, do consumo “correto” de alimentos, do estilo de vida feliz e saudável, da qualidade de vida. O que é qualidade de vida? Tenho muito medo de pessoas felizes... principalmente quando são éticas... Mas esse é outro assunto. Enquanto isso, vou continuar comendo a carne gorda que ainda tenho a liberdade de o fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-1651569523101486807?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/1651569523101486807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=1651569523101486807&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/1651569523101486807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/1651569523101486807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2011/01/ditadura-do-hipocondriaco.html' title='DITADURA DO HIPOCONDRÍACO'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-221141290208267401</id><published>2010-12-01T09:58:00.002-02:00</published><updated>2011-01-11T23:01:41.254-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lituraterra'/><title type='text'>Catatau, de Paulo Leminski, em quatro edimensões</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Uma comparação geral entre as quatro edições que a obra &lt;/i&gt;&lt;i&gt;Catatau, de Paulo Leminski, teve.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Catatau&lt;/i&gt;, de Paulo Leminski, chega as livrarias através de uma edição pela Iluminuras. Já não era sem tempo – a última edição foi em 2004, pela Travessa dos Editores, e desde então a obra continuou a ser item de colecionador. &lt;i&gt;Catatau&lt;/i&gt; é obra que merece circulação, merece ser lida, discutida, merece ser acessível em todos os sentidos. Para tanto, o primeiro passo é ter o livro em mãos, para então ler e dar conta do que ela pode proporcionar a cada leitor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Leminski levou em torno de sete anos para concluir e publicar o &lt;i&gt;Catatau&lt;/i&gt;. A ideia surgiu durante uma aula de história, quando ele ainda ministrava essa disciplina em cursos pré-vestibulares. Pensou na possibilidade do filósofo René Descartes ter vindo ao Brasil junto aos holandeses, já que nessa época (das invasões holandesas) o filósofo servia ao exército holandês. Desenvolveu essa ideia num conto, o “Descartes com lentes”, que concorreu num concurso literário e somente não levou o primeiro premio por conta de um erro no júri. E tal erro não poderia ter sido mais conveniente, já que serviu de mote para que Leminski desenvolvesse o conto num texto mais extenso, de maior fôlego, que sete anos depois seria o que hoje conhecemos como &lt;i&gt;Catatau&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa altura do campeonato todos já sabem do Descartes fumando marijuana enquanto tenta fazer filosofia em meio a paisagem tupiniquim. Já sabem do monstro Occam, que permeia a “narrativa”, já sabem da linguagem articulada, já sabem da estruturação complexa da obra. Já sabem de quase tudo mesmo sem ter acesso à obra. Agora só falta ler, o que até então era o mais complicado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira edição foi publicada em 1975, de maneira independente, com tiragem limitada e circulação restrita. O livro traz, basicamente, uma dedicatória ao Paulo Leminski, “o Velho” (pai de Leminski, “o Poeta”), a Alice Ruiz, ao Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos. Traz uma espécie de micro-prefácio, nomeado REPUGNATIO BENEVOLENTIAE, em que Leminski se nega a “ministrar clareiras para a inteligência deste catatau que por oito anos (...), passou muito bem sem mapas. Virem-se”. Também traz quatro epígrafes, uma de Marcgravf, matemático polonês do século XVI, XVII, uma de Nicolas d’Autrecourt, uma de Vergez e Huisman, e uma de René Descartes. E em seguida vem o texto de &lt;i&gt;Catatau&lt;/i&gt;, sem “clareiras” ou “explicações”. Assim é a primeira edição do livro. Pela sua simplicidade, história e valor, hoje em dia é item de colecionador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A segunda edição veio em 1989, pela editora Sulina. Traz a mesma “apresentação” do anterior, somado a alguns textos explicativos, sendo um deles do próprio Leminski. Alguns dizem que essa é a edição mais difícil de ser encontrada. De fato, até hoje, de maneira geral, vi mais referências a primeira edição do que as posteriores. Por ser mais completa em relação à edição anterior, assim como por sua raridade, hoje em dia é item de colecionador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A terceira edição foi publicada em 2004 pela Travessa dos Editores. É a mais completa e luxuosa: tem capa dura, papel couche brilhante, várias figuras e fotos (entre elas, de Descartes e Leminski). Traz uma apresentação de Décio Pignatari além de muitos outros textos explicativos, interpretativos e notas, junto aos que já estavam na edição anterior. Esta também é uma edição difícil de ser encontrada. Particularmente é a edição de que gosto mais, tanto pela qualidade de impressão como pela qualidade e quantidade dos textos e estudos que vem junto. Pela sua completude, pela qualidade, pela raridade, hoje em dia é item de colecionador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 2010 a quarta edição foi publicada pela editora Iluminuras. Ainda não está esgotada. Ainda... Em relação à edição anterior, é menos completa, traz os mesmos textos presentes na edição de 1989, assim como o “Catatau: uma Leminskíada Barrocodélica”, de Haroldo de Campos. Pela facilidade de acesso, vale ter e ler, antes que vire peça de colecionador.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-221141290208267401?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/221141290208267401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=221141290208267401&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/221141290208267401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/221141290208267401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/12/catatau-de-paulo-leminski-em-quatro.html' title='Catatau, de Paulo Leminski, em quatro edimensões'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-8916085621867432427</id><published>2010-07-22T20:00:00.001-03:00</published><updated>2011-01-11T23:01:41.255-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lituraterra'/><title type='text'>Literatura, ensino</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Texto publicado no jornal A Folha, caderno Moitará&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como relata Leyla Perrone-Moisés, em seu texto “Literatura para todos”, publicado na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Literatura e Sociedade&lt;/span&gt; (2005), “notou-se o ‘desaparecimento’ da disciplina Literatura no ensino médio de vários estados brasileiros. O ensino da literatura foi substituído por ou diluído sob a fórmula ‘comunicação e expressão’”. Já nesse ponto nota-se uma contradição entre o que é Literatura e sua aplicação como disciplina no ensino. No limite, uma obra literária não se reduz a uma comunicação, nem a uma expressão, apesar de sua “matéria-prima” ser a linguagem verbal. Como afirmou Roland Barthes: “(...) a linguagem não é apenas uma comunicação, (...) não é uma comunicação direta”. A Literatura, dentre suas particularidades, tem a característica de não apenas comunicar ou exprimir; para além disso – propõe ao leitor um texto no qual a linguagem está de tal forma articulada que é possível inferir inúmeros sentidos e contextualizações. Desse modo, reduzir um texto literário buscando um sentido pronto, apenas comunicado ou exprimido, não é conceber um texto como literário, nem trabalhar com o que a Literatura pode ter de essencial (um efeito estético, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) também contribuem para uma desvalorização da disciplina de Literatura. Na sessão dedicada a essa área, nomeada “Linguagens, Códigos e suas Tecnologias”, logo na apresentação encontramos a afirmação: “a linguagem tem sido objeto de estudo da Filosofia, Psicologia, Sociologia, Epistemologia, História, Semiótica, Linguística, Antropologia, etc”. Como observa Lyla Perrone-Moisés, é curioso que a “ciência da linguagem verbal, aparece em penúltimo lugar, e a literatura fica ausente, embutida no etc”. A maneira como se propõe a abordagem de Literatura é ainda mais alarmante: “O conceito de texto literário é discutível. Machado de Assis é literatura. Paulo Coelho, não. Por quê? As explicações não fazem sentido para o aluno”. Antes de responder o porquê de Paulo Coelho não ser literatura, vale perguntar o motivo de as explicações não fazerem sentido aos alunos. Seria isso um problema da própria instituição da Literatura ou do professor que não consegue articular um raciocínio “acessível e convincente”? E desse modo seria realmente pertinente e justificável retirar o ensino sobre Machado de Assis (ou a Literatura como um todo)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, narra-se uma situação prática de sala de aula onde os alunos dizem: “Drummond é literato porque vocês [professores] afirmam que é, eu [aluno] não concordo. Acho ele um chato. Por que Zé Ramalho não é literatura? Ambos são poetas, não é verdade?”. Essa é uma discussão que merece maior atenção. A indagação feita pelo aluno é pertinente. Demonstra um interesse por determinado estilo de poesia que não é discutida em sala de aula. Nesse ponto é necessário trazer a discussão sobre o cânone e sua importância não só para a Literatura, mas para o próprio desenvolvimento intelectual e cultural. Um cânone não o é gratuitamente; demonstrar e explicar esses aspectos de maneira “acessível e convincente” é fundamental. Descartar o trabalho com obras canônicas seria privar o estudante de um determinado conhecimento que é direito seu de acesso. O que é de interesse do aluno poder servir como um incentivo, é possível utilizá-lo a favor do ensino estabelecendo relações e discutindo aspectos em comum (como determinado artista popular se apropria de categorias e características presentes em uma obra literária canônica, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria pertinente ensinar apenas o que é de interesse do aluno ou também criar condições para que ele possa alargar seus horizontes culturais e, assim, talvez encarar um texto canônico de maneira diferente (pelo menos reconhecendo o seu valor)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se que, de fato, há embutida nos Parâmetros Curriculares Nacionais certa desvalorização da Literatura. E ainda mais: ao mesmo tempo em que nesse documento se coloca como elitismo o privilégio do ensino do texto canônico, ele mesmo é elitista em deixar implícito que o cânone seja posto em segundo plano em favor do que “faz sentido ao aluno”. O cânone também pode fazer “sentido ao aluno”. O acesso à Literatura e suas obras canônicas é direito de todos. Ou poderia ser.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-8916085621867432427?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/8916085621867432427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=8916085621867432427&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8916085621867432427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8916085621867432427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/07/literatura-ensino.html' title='Literatura, ensino'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-2420601949165000685</id><published>2010-07-16T10:19:00.000-03:00</published><updated>2011-01-11T23:02:19.196-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>Aficcionados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Texto publicado no jornal A Folha, caderno Moitará&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma que um paranóico elabora ficções para justificar suas manias, todos nós criamos enredos para justificar a nossa existência. No fundo somos todos paranóicos. A ficção nos é necessária, essencial; mais do que isso – constitutiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Metaformose, Paulo Leminski já disse: “A magia é a potência da imaginação. Cria formas e imagens não existentes. Estes seres podem ser centauros, hidras, sereias ou esfinges. Mas também podem ser artefatos e máquinas, cujo modelo não se encontra na realidade. A roda, que não existe na natureza, é tão fantástica quanto o lobisomem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pensador cria histórias para entender a realidade. A essas histórias chamamos teoria. Teorias são postas em teste, histórias (ficção), não (de um ponto de vista pragmático). A ciência é ficção coerente com aquilo que se chama Realidade. Quando essas instâncias estão condizentes, o resultado é tido como Verdadeiro. Teorias visam a Realidade. E nem sabemos o que é realidade. E é bom lembrar que a fonte não deixa de ser uma criação. O estatuto de Verdade embutido nas teorias marca a diferença da ficção. Atribuímos valores distintos ao que se refere à Verdade. E nem sabemos o que é Verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria que não deu certo funciona como uma bela ficção – eis uma função admirável para o erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teoria tem a mesma raiz etimológica de Theo – em grego, deus. Todos brincamos de ser deuses quando trabalhamos com teorias. Isso explica o amor que tanta gente tem por elas e procuram sob todas as hipóteses elaborar a sua, propor o seu sistema de explicação e pensamento. No fundo, todos queremos ser deuses – Imortais. E alguns até se consideram como tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto diante de seus olhos é ficção. Foi feito a partir de minha criação. Tive uma idéia, desenvolvi e virou isso. Ninguém a desenvolveu como eu. E ninguém a entenderá como você. Os seus olhos são ficção. Eles aprenderam a olhar para o mundo de determinada perspectiva e, portanto, atribui significados de acordo com o que você julga ser mais conveniente. E por isso você, leitor, também é ficção. Eu te criei como leitor e você se criou como ser pensante. Se eu não tivesse escrito este texto, você neste momento não seria leitor. Você, no fundo, é minha criação...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-2420601949165000685?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/2420601949165000685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=2420601949165000685&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/2420601949165000685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/2420601949165000685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/07/aficcionados.html' title='Aficcionados'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-5832573777822302665</id><published>2010-07-08T22:08:00.002-03:00</published><updated>2011-01-11T23:02:19.197-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>De Veritas - ou a arte de ficar na sombra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Texto publicado no jornal A Folha&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, caderno Moitará&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;DA ETERNA PROCURA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Só o desejo inquieto, que não passa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Faz o encanto da coisa desejada...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E terminamos desdenhando a caça&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pela doida aventura da caçada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Mario Quintana)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;  - A minha ciência é mais verdadeira do que a sua.&lt;br /&gt;  É equivalente à birra de criança: “O meu jogo é melhor do que o seu; Não, o meu é duas vezes melhor; O meu é um milhão de vezes melhor; O meu é um quatrilhão de vezes melhor; O meu é infinita vezes melhor; O meu é duas vezes infinito melhor; O meu é um milhão de vezes infinito melhor...” e assim &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad aeternitas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;  Busca pela verdade – depois de encontrá-la, o que fazer? É trabalho semelhante ao do alpinista: depois de muito esforço, chegou ao cume da montanha. “Paisagem linda, carrego pela vida toda! Que Bom! Ufa! Fiu! ... E agora? Tem que descer...”&lt;br /&gt;  Argumento de contrapartida: O trabalho de chegar até ao cume da montanha é que é o delicioso, não o estar no topo (mesmo porque, quem ficaria lá definitiva e infinitamente?). Pois então pergunto, quer dizer que o trabalho de busca pela Verdade se faz somente pelo trabalho, não pelo objetivo? Quer dizer que depois de finalmente encontrar a Verdade, será ela deixada de lado porque o esforço finalmente acabou e depois todos terão que descer e voltar ao lugar comum? Birra de criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;  A Verdade é absoluta particular incontestável relativa universal inalcançável. Assim como um aforismo de um filósofo alemão ou um epigrama grego ou um haikai japonês ou um poema latinoamericano.&lt;br /&gt;  Enquanto vocês cavalgam com seus Rocinantes debaixo do sol escaldante, desgastados, prefiro conversar com meu burrico na sombra fresca e rir muito desses cavaleiros que digladiam com moinhos de Verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-5832573777822302665?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/5832573777822302665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=5832573777822302665&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5832573777822302665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5832573777822302665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/07/de-veritas-ou-arte-de-ficar-na-sombra.html' title='De Veritas - ou a arte de ficar na sombra'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-8136141430813467651</id><published>2010-07-01T20:28:00.002-03:00</published><updated>2011-01-11T23:02:19.197-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>Livros e Leituras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Texto publicado no jornal A Folha&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, caderno Moitará&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre vi com certo entusiasmo as digitalizações de obras literárias – é uma forma alternativa de divulgação e acessibilidade aos textos. Se o autor escreve um livro, é porque quer ser lido, não só vendido (sim, quanto a isso sou um sonhador), além de que é ótima maneira de conseguir obras fora do eixo comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém um artigo de Roger Chartier (“O Google e o futuro do livro”) me fez pensar em alguns aspectos que até então não me tinha dado conta. A transferência de um texto dum meio para outro não é privilégio atual, vide, por exemplo, os manuscritos registrados em diferentes materiais – tábuas de madeira, barro, depois em pergaminhos, depois em papel, e depois começaram a ser impressos e organizados nessa forma como conhecemos: o livro (claro que todo esse desenvolvimento não é tão simples).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero chamar a atenção para o fato de que a “publicação” dos textos em outro formato influenciará a maneira de ler. Não simplesmente porque os textos serão lidos na frente de um computador ou em papel, mas na própria constituição de significados. Como ressaltou Chartier: “A história não ensina lição nenhuma, apesar do lugar-comum em contrário, mas, nesses dois casos, ela aponta para um fato essencial à compreensão do presente, a saber: que um "mesmo" texto deixa de ser o mesmo quando muda o suporte sobre o qual está inscrito e, com isso, suas formas de leitura e o sentido que lhe venha a ser atribuído por novos leitores. As bibliotecas sabem disso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido utilizo dois exemplos: primeiro, clássico, é o texto “Pierre Menard autor do Quixote”, de Jorge Luis Borges. O texto foi publicado pela primeira vez na sessão de resenhas de uma revista literária. Nesse texto dizia-se que foram encontrados uns manuscritos de Pierre Menard, dentre eles uma “(re)escritura” de Don Quixote. A “resenha” causou estardalhaço: todos queriam ter acesso àquelas obras. Acontece que Pierre Menard é um personagem criado por Borges, assim como sua obra. Posteriormente esse texto foi incluído no livro de contos Ficções (1944). Notem: a leitura que se faz (e fez) de um texto publicado numa sessão de resenhas e de um texto publicado como conto (num livro intitulado, notem, Ficções) é diferente. O contexto e o meio em que a obra é publicada moldam a nossa leitura. Outros textos de Borges que discorrem sobre obras (e personagens) fictícias, por exemplo, são “Exame da obra de Herbert Quain” e “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”. Além desse, mais um exemplo interessante é o Quincas Borba, de Machado de Assis. O texto foi inicialmente publicado aos capítulos numa revista de moda (1890). Não é a toa que o narrador se detém aos detalhes das vestimentas das personagens. Além de que há uma estreita relação entre o que a personagem veste e sua condição social (vide a personagem Sofia – como ela se vestia no início do livro e como mudou ao longo de sua ascensão social). Quincas Borba somente foi publicado em livro em 1891. Houve algumas mudanças e adaptações, mas um Quincas Borba publicado em revista de moda e publicado em livro, a leitura não será a mesma. Tanto o meio em que o texto é publicado quanto o tipo de público leitor são fatores, entre outros, que influenciam na maneira como se lê um texto, ou seja, influenciam na maneira como se constituem significados. Nunca lemos o mesmo texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, ressaltando o artigo de Chartier, o fato de o Google digitalizar os livros e posteriormente disponibilizar o acervo no futuro Google Editions não significa que a empresa está preocupada com o patrimônio cultural da humanidade, visto que o acesso ao acervo será pago. Mesmo sendo o preço inicialmente acessível, provavelmente o Google exercerá seu ofício de monopólio e poderá cobrar o preço que quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como será feita a leitura de livros digitalizados é pergunta, por ser boa, que fica sem resposta. O papel ainda é a melhor tecnologia, livre do risco de vírus e sem neuras de recarregar a bateria. E que circulem mais livros!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-8136141430813467651?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/8136141430813467651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=8136141430813467651&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8136141430813467651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8136141430813467651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/07/livros-e-leituras.html' title='Livros e Leituras'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-6456888722739908310</id><published>2010-06-17T11:38:00.001-03:00</published><updated>2011-01-11T23:01:41.255-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lituraterra'/><title type='text'>Jabberwocky e suas maravilhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O personagem Jabberwocky, no filme Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton (muito bom, diga-se de passagem, apesar de uma coisa ou outra) é um dragão malvado de epicuzinho. Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alice Através do Espelho&lt;/span&gt;, de Lewis Carrol, mais do que personagem, é um poema. Ei-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jabberwocky&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;’Twas brillig, and the slithy toves&lt;br /&gt;Did gyre and gimble in the wabe;&lt;br /&gt;All mimsy were the borogoves,&lt;br /&gt;And the mome raths outgrabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Beware the Jabberwock, my son!&lt;br /&gt;The jaws that bite, the claws that catch!&lt;br /&gt;Beware the Jubjub bird, and shun&lt;br /&gt;The frumious Bandersnatch!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He took his vorpal sword in hand:&lt;br /&gt;Long time the manxome foe he sought—&lt;br /&gt;So rested he by the Tumtum tree,&lt;br /&gt;And stood awhile in thought.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And as in uffish thought he stood,&lt;br /&gt;The Jabberwock, with eyes of flame,&lt;br /&gt;Came whiffling through the tulgey wood,&lt;br /&gt;And burbled as it came!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;One, two! One, two! and through and through&lt;br /&gt;The vorpal blade went snicker-snack!&lt;br /&gt;He left it dead, and with its head&lt;br /&gt;He went galumphing back.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“And hast thou slain the Jabberwock?&lt;br /&gt;Come to my arms, my beamish boy!&lt;br /&gt;O frabjous day! Callooh! Callay!”&lt;br /&gt;He chortled in his joy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;’Twas brillig, and the slithy toves&lt;br /&gt;Did gyre and gimble in the wabe;&lt;br /&gt;All mimsy were the borogoves,&lt;br /&gt;And the mome raths outgrabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaguardarte&lt;br /&gt;(Traduzido por Augusto de Campos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era briluz. As lesmolisas touvas&lt;br /&gt;Roldavam e relviam nos gramilvos.&lt;br /&gt;Estavam mimsicais as pintalouvas,&lt;br /&gt;E os momirratos davam grilvos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foge do Jaguadarte, o que não morre!&lt;br /&gt;Garra que agarra, bocarra que urra!&lt;br /&gt;Foge da ave Felfel, meu filho, e corre&lt;br /&gt;Do frumioso Babassurra!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Êle arrancou sua espada vorpal&lt;br /&gt;E foi atrás do inimigo do Homundo.&lt;br /&gt;Na árvora Tamtam êle afinal&lt;br /&gt;Parou, um dia, sonilundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto estava em sussustada sesta,&lt;br /&gt;Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,&lt;br /&gt;Sorrelfiflando através da floresta,&lt;br /&gt;E borbulia um riso louco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta&lt;br /&gt;Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!&lt;br /&gt;Cabeça fere, corta, e, fera morta,&lt;br /&gt;Ei-lo que volta galunfante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois então tu mataste o Jaguadarte!&lt;br /&gt;Vem aos meus braços, homenino meu!&lt;br /&gt;Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”&lt;br /&gt;Êle se ria jubileu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era briluz. As lesmolisas touvas&lt;br /&gt;Roldavam e relviam nos gramilvos.&lt;br /&gt;Estavam mimsicais as pintalouvas,&lt;br /&gt;E os momirratos davam grilvos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-6456888722739908310?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/6456888722739908310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=6456888722739908310&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6456888722739908310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6456888722739908310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/06/jabberwocky-e-suas-maravilhas.html' title='Jabberwocky e suas maravilhas'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-5937903522345961639</id><published>2010-05-10T20:00:00.003-03:00</published><updated>2011-01-11T23:03:01.226-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Assuntos Diversos'/><title type='text'>tecnologia</title><content type='html'>ávidos por novidades, cliquem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_an5z2lxXH4&amp;amp;feature=watch_response" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=_an5z2lxXH4&amp;amp;feature=watch_response&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-5937903522345961639?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/5937903522345961639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=5937903522345961639&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5937903522345961639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5937903522345961639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/05/tecnologia.html' title='tecnologia'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-764525831772465379</id><published>2010-04-03T00:53:00.002-03:00</published><updated>2011-01-11T23:03:01.226-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Assuntos Diversos'/><title type='text'>sugestão</title><content type='html'>Ghérasim Luca, poeta; Passionement, poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divirtam-se:&lt;a href="http://editions-hache.com/luca/luca1.html"&gt;&lt;br /&gt;http://editions-hache.com/luca/luca1.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-764525831772465379?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/764525831772465379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=764525831772465379&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/764525831772465379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/764525831772465379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/04/sugestao.html' title='sugestão'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-8512091901268886146</id><published>2010-03-02T10:20:00.006-03:00</published><updated>2010-05-05T22:53:46.863-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas outros'/><title type='text'>poema de Pedro Kilkerry</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CETÁCEO&lt;br /&gt;Pedro Kilkerry&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fuma. É cobre o zênite. E, chagosos no flanco,&lt;br /&gt;Fuga e pó, são corcéis de anca na atropelada.&lt;br /&gt;E tesos no horizonte, a muda cavalgada.&lt;br /&gt;Coalha bebendo o azul um largo vôo branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando e quando esbagoa ao longe uma enfiada&lt;br /&gt;De barcos em betume indo as proas de arranco.&lt;br /&gt;Perto uma janga embala  um marujo no banco&lt;br /&gt;Brunindo ao sol brunida a pele atijolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tine em cobre o zênite e o vento arqueja e o oceano&lt;br /&gt;Longo enfroca-se a vez e vez e arrufa,&lt;br /&gt;Como se a asa que o roce ao côncavo de um pano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na verde ironia ondulosa de espelho&lt;br /&gt;Úmida raiva iriando a pedraria. Bufa&lt;br /&gt;O cetáceo a escorrer d’ água ou do sol vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Quem quiser ler, conhecer melhor Pedro Kilkerry e sua obra, tem o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ReVisão de Pedro Kilkerry&lt;/span&gt;, de Augusto de Campos. É obra esgotada, só encontra em sebos... e vale a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-8512091901268886146?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/8512091901268886146/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=8512091901268886146&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8512091901268886146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/8512091901268886146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/03/poema-de-pedro-kilkerry.html' title='poema de Pedro Kilkerry'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-6410749424823647624</id><published>2010-01-31T23:22:00.005-02:00</published><updated>2010-05-07T13:44:48.355-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas outros'/><title type='text'>poema de Cruz e Souza</title><content type='html'>LUBRICIDADE&lt;br /&gt;Cruz e Souza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera ser a serpe venenosa&lt;br /&gt;Que dá-te medo e dá-te pesadelos&lt;br /&gt;Para envolver-me, ó Flor maravilhosa,&lt;br /&gt;Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera ser a serpe veludosa&lt;br /&gt;Para, enroscada em múltiplos novelos,&lt;br /&gt;Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa&lt;br /&gt;E babujá-los e depois mordê-los...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez que o sangue impuro e flamejante&lt;br /&gt;Do teu lânguido corpo de bacante,&lt;br /&gt;Da langue ondulação de águas do Reno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhamente se purificasse...&lt;br /&gt;Pois que um veneno de áspide vorace&lt;br /&gt;Deve ser morto com igual veneno...&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poema presente na obra &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Broquéis&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-6410749424823647624?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/6410749424823647624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=6410749424823647624&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6410749424823647624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6410749424823647624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/01/lubricidade.html' title='poema de Cruz e Souza'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-3493652354657119759</id><published>2010-01-20T23:25:00.002-02:00</published><updated>2011-01-11T23:02:19.198-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pensamentos Crônicos'/><title type='text'>poucas breves sinceras palavras sobre leitura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Um passo primordial quando se trabalha com o incentivo à leitura é justificar o motivo de sua prática. A questão é comum, principalmente no meio escolar, em que o estudante se vê cercado de outras atividades e mídias, e o tempo todo é cobrado e incentivado a produzir de modo a ter retornos materiais imediatos. A leitura foge desse universo e passa a ser vista, portanto, como algo desprazeroso e sem sentido. Contornar essa situação passa a ser um desafio. Não basta explicar a importância da leitura, mas demonstrar como os retornos não-imediatos que ela traz podem refletir na realidade e vida de cada um.&lt;br /&gt;   Por que ler? São diversos os motivos: incentivar a apreciação (e talvez a produção) cultural, formar seres que possuam a capacidade de entender um raciocínio, de elaborar e articular uma rflexão por conta própria; ler pode, inclusive, adquirir um caráter de entretenimento. Fazer da leitura parte de seu universo. Fazer da Literatura um produto cultural (e produto não no sentido mercadológico, mas fruto de um empenho artístico).&lt;br /&gt;   Sempre se tem em mente o incentivo da leitura dos “clássicos”, do “cânone”. Por que essas leituras e não outras, como a de revistas, gibis, “romances de banca”, etc? Não seria esta uma forma de elitismo? O primeiro ponto a se afirmar é que o elitismo é uma criação para sustentar uma noção de poder: se tenho acesso a leitura de textos melhores, leio textos melhores, logo, me torno “melhor”. Esse tipo de afirmação pode ser ingênua. Nem sempre o funcionamento é pavloviano. É preciso ter consciência da diversidade. Culturas diferentes, textos diferentes, dão conta de realidades diferentes. Para ser melhor é mais conveniente conhecer essas realidades e entender os seus protocolos, e dessa forma é possível obter uma visão mais ampla sobre o mundo.&lt;br /&gt;   Isso não significa colocar num mesmo patamar a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilíada &lt;/span&gt;e um “romance de banca”. A diferença reside, principalmente, no que se chama de literariedade. O fato de um texto ser “clássico” ou canônico não é gratuito. A obra está de tal forma construída e articulada (diálogo com tradição, aspectos estéticos) que a torna Literatura (discutir o que é Literatura é tema para outra reflexão).&lt;br /&gt;   Ler a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilíada&lt;/span&gt; é árduo, exige trabalho. Inicialmente pode vir a ser um texto de fruição (diferente de um “romance de banca”). O primeiro passo seria torná-lo mais acessível. Como? Eis outra questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Tornar um texto como o da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilíada&lt;/span&gt; acessível, o principal requisito é dominar os protocolos de leitura. Quais seriam esses protocolos? Nesse caso é principalmente a dificuldade redundante da temática da obra e da elaboração da linguagem: trata-se de uma obra épica – a temática envolve mitologias, conflitos mitológicos, personagens históricos, junção de fatos históricos e ficção, temas distantes da realidade atual, e a linguagem segue uma elaboração também distante: o texto é estruturado em versos, envolve questões de ritmo, figuras de linguagem (hipérbatos, metáforas, etc). Um leitor para esse texto deve ter um domínio mínimo sobre esses aspectos. A partir do momento em que o texto passa a fazer sentido para aquele que lê, a probabilidade do texto se tornar um texto de prazer é maior.&lt;br /&gt;   É importante ressaltar a questão da motivação. Utilizando o mesmo exemplo da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilíada&lt;/span&gt;: um leitor que não tem grande domínio sobre as temáticas e articulações da obra, tem motivação, curiosidade, pode dominar os protocolos e fazer dessa, uma leitura de prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Outra tentativa interessante de incentivo seria estabelecer pontos de contato entre textos diferentes que compartilham temáticas em comum. As vezes diz-se a mesma coisa de maneiras distintas. Exemplo: a sátira à sociedade aparece tanto numa letra de música popular, num rap, quanto numa cantiga trovadoresca, num texto de Machado de Assis ou poema de Gregório de Matos. Com isso, é possível discutir como o tema é trabalhado e desenvolvido em cada um desses textos, e perceber as diferenças.&lt;br /&gt;   Pode-se até mesmo compartilhar diferentes mídias: verificar como a crítica social aparece numa letra de música (rap, MPB), em um filme e numa obra literária. E neste ponto enfatizar: a leitura de uma obra literária permite o apuro do senso crítico e sensitivo perante outras obras e a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Com o incentivo a leitura de Literatura, não se espera formar críticos literários, mas leitores; e se possível, leitores críticos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-3493652354657119759?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/3493652354657119759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=3493652354657119759&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3493652354657119759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/3493652354657119759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2010/01/poucas-breves-sinceras-palavras-sobre.html' title='poucas breves sinceras palavras sobre leitura'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-6503892607949906325</id><published>2009-12-01T23:40:00.001-02:00</published><updated>2009-12-02T09:44:45.298-02:00</updated><title type='text'>isso não é um poema</title><content type='html'>queria&lt;br /&gt;um dia&lt;br /&gt;redescobrir&lt;br /&gt;o que é&lt;br /&gt;ser amigo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-6503892607949906325?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/6503892607949906325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=6503892607949906325&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6503892607949906325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6503892607949906325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/12/isso-nao-e-um-poema.html' title='isso não é um poema'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-6677022656461148316</id><published>2009-11-09T10:31:00.004-02:00</published><updated>2010-05-05T22:54:06.381-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Transcriações'/><title type='text'>traduzir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;reconheço que exagerei no post anterior.&lt;br /&gt;para ler Literatura não há necessidade de ser especialista. minha crítica é para pessoas que leem por status, simplesmente. leem em quantidade sem se importarem com a qualidade da leitura. e no final das contas, são elas mesmas que saem perdendo já que não sentem o prazer da leitura e nunca terão retorno.&lt;br /&gt;quando falei que poetas não escrevem para multidões é porque de fato não escrevem. o publico leitor de poesia é mínimo, e dentro desse mínimo, a maior parte são outros poetas, ou críticos, ou estudiosos de literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mudando de assunto, há tempos que me interesso por tradução. acho que é uma ótima maneira de sintetizar vários de meus interesses: ler, refletir, interpretar poesia. traduzir não é simplesmente trocar palavras com valor semântico semelhante de uma língua para outra. em poesia tem que estar atento com o ritmo, o som, a forma e conteúdo.&lt;br /&gt;e confesso - traduzir é uma ótima maneira de você poder palpitar no texto do outro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segue uma tradução que fiz de um poema de William Carlos Williams. claro que sou apenas um curioso. como falei, traduzir é uma maneira de sintetizar meus interesses. há partes discutíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sort of Song (William Carlos Williams)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Let the snake wait under&lt;br /&gt;his weed&lt;br /&gt;and the writting&lt;br /&gt;be of words, slow and quick, sharp&lt;br /&gt;to strike, quiet to wait&lt;br /&gt;sleepless&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- through metaphor to reconcile&lt;br /&gt;the people and the stones.&lt;br /&gt;Compose. (no ideas&lt;br /&gt;but in things). Invent!&lt;br /&gt;Saxifrage is my flower that splits&lt;br /&gt;the rocks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha sugestão inicial de tradução sem maiores pretensões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espécie de Som&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe a serpe que espere abaixo&lt;br /&gt;das ervas&lt;br /&gt;enquanto a escrita&lt;br /&gt;seja palavra, vagar e rápida, afiada&lt;br /&gt;no ataque, quieta na espera&lt;br /&gt;sem sono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- através da metáfora reconciliar&lt;br /&gt;as pessoas e as pedras.&lt;br /&gt;Compôr. (Nada de ideias&lt;br /&gt;mas em coisas). Invente!&lt;br /&gt;Saxífroga é minha flor que junta&lt;br /&gt;as rochas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-6677022656461148316?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/6677022656461148316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=6677022656461148316&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6677022656461148316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6677022656461148316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/11/traduzir.html' title='traduzir'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-6342788749431052688</id><published>2009-11-02T23:12:00.003-02:00</published><updated>2011-01-11T23:01:41.256-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lituraterra'/><title type='text'>Paulo Leminski</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste ano de 2009 há o que comemorar e homenagear – desde as datas comuns, carnaval, dia das crianças, final de novelas... até datas que poucos conhecem ou se recordam. Cem anos de morte de Euclides da Cunha (1909), oitenta anos de nascimento de Haroldo de Campos (1929), cinqüenta anos da publicação de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Formação da Literatura Brasileira&lt;/span&gt; (1959), de Antonio Candido...&lt;br /&gt;Entre elas, em 7 de Junho de 1989, deixava-nos o mais que poeta Paulo Leminski.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O autor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Leminski (1944 – 1989).&lt;br /&gt;Deixou obra relativamente grande – romances, poemas, contos, resenhas, ensaios, traduções, biografias, roteiros, todos interligados pela poesia. Neste ponto vale lembrar uma carta escrita à Régis Bonvicino na qual dizia: “para ser poeta tem que ser mais que poeta”.&lt;br /&gt;Hoje em dia dispensam-se maiores apresentações – sabe-se mais sobre a vida de Leminski do que de sua obra, o que pode não ser bom: de acordo com Ezra Pound “o mau crítico se identifica facilmente quando começa por discutir o poeta e não o poema”. Isso demonstra que permanece pouco estudado, compreendido. Em parte pela multiplicidade de sua produção, outra, por ser pouco editada. Alguns livros tornaram-se itens de colecionador e somente se encontram nalgumas estantes de bibliófilos, o que dificulta o trabalho de estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A obra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que o ano de nascimento de Paulo Leminski como poeta foi em 1963, quando participou da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, sob a organização de Affonso Romano de Sant’Anna. Foi onde estabeleceu contato com Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari, o que permitiu a publicação de seus primeiros poemas na revista &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Invenção&lt;/span&gt;, mantida pelos concretistas.&lt;br /&gt;Nessa época são fortes os traços característicos da poesia concreta na poesia de Leminski. Num depoimento, chegou a afirmar: “A coisa concreta está de tal forma incorporada à minha sensibilidade que costumo dizer que sou mais concreto que eles [Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari]: eles não começaram concretos, eu comecei”. A partir de então o autor vai procurar elaborar uma poesia com características próprias. Sua relação com o movimento concretista passa a oscilar – ora se aproxima, ora se afasta. Em verdade, Leminski vai assimilar as conquistas do movimento de modo a utilizá-las a seu favor, na produção de sua poesia. Em carta à Régis Bonvicino, diz: “descobri: a poesia concreta, para mim, é um cavalo. para o cavaleiro, o cavalo não é a meta. talvez, cavalgando a poesia concreta, eu chegue ao que me interessa: a minha poesia” (sic).&lt;br /&gt;Para construir a sua poesia, Leminski dialoga com outros movimentos e estéticas: Poesia Pau-Brasil e Antropofagia (Oswald de Andrade, humor, síntese, oralidade, assimilação de modo a produzir algo novo); Haikai (concisão, filosofia Zen); Poesia Beat (aproximação de arte e vida, anti-academicismo, mass-media); Tropicalismo (musicalidade). De maneira geral, é possível pensar a poesia de Leminski através de duas linhas de força – uma racional, apolínea, concretista (acabamento formal, disponibilização gráfica, não linearidade, exploração lexical); outra linha visceral, dionisíaca, tropicalista (humor, ironias, oralidade). A expressão utilizada por Leyla Perrone-Moisés é a mais adequada quando diz que Leminski é “samurai-malandro”: é samurai enquanto racional, apolíneo, concretista; malandro enquanto visceral, dionisíaco, tropicalista.&lt;br /&gt;Um exemplo ilustrativo dessas duas linhas de força é o poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CURVA PSICODÉLICA&lt;br /&gt;a mente salta dos trilhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LÓGICA ARISTOTÉLICA&lt;br /&gt;não legarei a meus filhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema se estrutura em duas estrofes de dois versos cada (concisão e síntese), possui rima e ritmo (acabamento formal), utiliza linguagem simples, e nega o legado da lógica aristotélica (surpresa, humor, ironia, oralidade), propondo, assim, outro caminho e posicionamento diante da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra característica recorrente nos textos de Leminski é a hibridez. Há uma justaposição de gêneros distintos que compõe um texto outro, e assim dribla esta ânsia de rotulação. Tal característica não é privilégio único, denuncia certa tradição com a qual dialogou – modernismo (Oswald de Andrade, principalmente), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Finnegans Wake&lt;/span&gt; (James Joyce), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/span&gt; (João Guimarães Rosa), &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Galáxias&lt;/span&gt; (Haroldo de Campos). A originalidade reside não apenas nos aspectos formais, mas também no conteúdo do texto. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Catatau&lt;/span&gt; (1975, livro mais citado) além da linguagem articulada com originalidade, traz Renatus Cartesius (Descartes) em Recife a espera de Maurício de Nassau enquanto faz uso da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;marijuana&lt;/span&gt; e tenta enquadrar a paisagem tupiniquim ao seu sistema de pensamento. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Metaformose&lt;/span&gt; (1987), como diz o subtítulo, é “uma viagem pelo imaginário grego”, misto de ficção/ensaio, assim como as biografias (Cruz e Souza, Bashô, Jesus, Trotsky, todas reunidas num volume intitulado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vida&lt;/span&gt;), trazem além do relato histórico da vida de cada uma dessas personalidades, um estudo de suas obras. Os ensaios por sua vez, muitos deles são articulados em versos, compondo poemas/reflexões.&lt;br /&gt;Na obra de Leminski, resumidamente, há espaço para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;make it new&lt;/span&gt; e para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;make it easy&lt;/span&gt; (termos utilizados por Miguel Sanches Neto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente o autor é lido pelo público em geral e começa a ser descoberto pela Academia e pelos meios ditos “especializados”. Permanece, como foi dito, pouco compreendido. Sua obra é pouco editada: a maior parte de seus livros encontra-se esgotada. Além de alguns textos ainda inéditos.&lt;br /&gt;A melhor homenagem que se pode prestar a um poeta é não somente lembrá-lo. Mais do que isso, é conhecê-lo lendo a sua obra.&lt;br /&gt;O convite está feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bibliografia do autor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosa:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Catatau&lt;/span&gt; (1975)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Agora é que são elas&lt;/span&gt; (1984)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Guerra dentro da gente&lt;/span&gt; (1986)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego&lt;/span&gt; (1994)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gozo Fabuloso&lt;/span&gt; (2004)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quarenta clics em Curitiba&lt;/span&gt; (com o fotógrafo Jack Pires, 1976)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tripas&lt;/span&gt; (1980)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não fosse isso e era menos / não fosse tanto e era quase&lt;/span&gt; (1980)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Polonaises&lt;/span&gt; (1980)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caprichos e Relaxos&lt;/span&gt; (1983)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Distraídos Venceremos&lt;/span&gt; (1987)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Lua foi ao Cinema&lt;/span&gt; (1989)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;La vie en close&lt;/span&gt; (1991)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Winterinverno&lt;/span&gt; (1994)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Ex-Estranho&lt;/span&gt; (1996)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biografias:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Matsuó Bashô&lt;/span&gt; (1983)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jesus a.C.&lt;/span&gt; (1984)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cruz e Souza &lt;/span&gt;(1985)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Trotski: a paixão segundo uma revolução&lt;/span&gt; (1986)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vida&lt;/span&gt; (volume com todas as biografias, 1990)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduções:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pergunte ao Pó&lt;/span&gt;, John Fante (1984)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vida sem fim&lt;/span&gt;, Lawrence Ferlinghetti (com outros tradutores, 1984)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O supermacho&lt;/span&gt;, Alfred Jarry (1985)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Giacomo Joyce&lt;/span&gt;, James Joyce (1985)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um atrapalho no trabalho&lt;/span&gt;, John Lennon (1985)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sol e aço&lt;/span&gt;, Yukio Mishima (1985)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Satyricon&lt;/span&gt;, Petrônio (1985)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Malone Morre&lt;/span&gt;, Samuel Becket (1986)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fogo e água na terra dos deuses&lt;/span&gt;, poesia egípcia (1987)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaios:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Anseios crípticos (anseios teóricos): peripécias de um investigador dos sentidos no torvelinho das formas e das idéias&lt;/span&gt; (1986)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ensaios e Anseios crípticos&lt;/span&gt; (1997)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Anseios Crípticos II&lt;/span&gt; (2001)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda possui textos esparsos (prefácios, resenhas) e textos inéditos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-6342788749431052688?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/6342788749431052688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=6342788749431052688&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6342788749431052688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/6342788749431052688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/11/paulo-leminski.html' title='Paulo Leminski'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-5843616863458518408</id><published>2009-10-01T23:21:00.003-03:00</published><updated>2011-04-13T11:53:48.112-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Assuntos Diversos'/><title type='text'>sobre Leminski II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje teve início do evento “Paulo Leminski: 20 anos em outras esferas”, realizado no Itaú Cultural, em São Paulo, e vai até dia 30 de Outubro. Terá exposição de manuscritos, fotos, etc. Autores irão ler textos, produzir textos na hora, etc. textos inéditos estarão expostos. Expostos! E NÃO serão publicados! De acordo com a reportagem do Caderno 2, Estado de São Paulo, 25/09/2009, quando são discutidos os textos encontrados: “’Mas não tinha nada perdido lá. Tava tudo muito bem guardadinho’, ressalta Alice Ruiz, responsável pelo armazenamento dos documentos após a morte do artista. Nada do que foi garimpado será publicado, o seu uso será apenas visual, para dar uma idéia do processo de criação do autor. Alice pensa da seguinte forma: se Leminski não publicou, é porque tinha plena certeza de que não queria aquilo publicado”. Como podemos saber? Se queremos estudar a obra do autor, precisamos dos textos não apenas para ter uma idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante é se reportamos ao livro O Ex-Estranho, publicado em 1996, algo parecido já era falado. Logo na orelha do livro encontramos a afirmação: “Esta é provavelmente a última reunião de poemas inéditos de Paulo Leminski”. Numa das apresentações do livro, escrita pela própria Alice Ruiz, encontramos: “Os poemas publicáveis acabam aqui” (p. 14). Atentem que se diz “poemas publicáveis”... Resta saber por que os outros (muitos?) não são. No mesmo texto encontramos algo nessa direção: “Todos os poemas que fizemos, um para o outro, guardávamos numa pasta com o título de AM/OR. Vários já foram publicados, outros provavelmente não serão, por serem excessivamente pessoais mas, entre eles, encontramos alguns que, por sua qualidade, tinha que estar presentes neste último livro de poemas” (p. 14). Ou seja, alguns poemas não podem ser publicados pelo cunho pessoal (?) e outros pela qualidade. “Não há o que dizer sobre esta poesia que ela mesma não diga, nem estou aqui para falar dela. Minha função é reuni-la com o respeito pela qualidade que o Paulo sempre exigiu e defendeu, sem permitir que treinos e exercícios venham a público, como muito já se viu depois que um artista se vai” (p. 15). Enfim, encontramos um beco sem saída, já que não podemos concordar ou discordar dessa justificativa, visto que não temos acesso aos textos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante observar o quanto o “provável” está presente nessas declarações. Isso significa que estão falando em probabilidades. O que fará essas probabilidades virarem certezas? Certezas de que um dia serão publicados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor precisa ser lido...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-5843616863458518408?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/5843616863458518408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=5843616863458518408&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5843616863458518408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5843616863458518408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/10/sobre-leminski-ii.html' title='sobre Leminski II'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-7220080826521849649</id><published>2009-09-29T22:37:00.003-03:00</published><updated>2011-01-11T23:03:01.227-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Assuntos Diversos'/><title type='text'>Sobre Leminski</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Durante uma aula de cursinho pré-vestibular, o professor de Literatura recitou uns trechos de James Joyce e mencionou suas traduções na época: uma de Antonio Houaiss, outra de um poeta, mais interessante. No final da aula fui perguntar ao professor qual era o nome desse poeta – É Paulo Leminski. Procure na internet, você vai achar alguma coisa. É um poeta bem underground... você vai gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bigode enorme, os óculos. A primeira impressão foi de que já conhecia essa figura, de algum lugar. Li alguns poemas e foi o bastante para se tornar uma das minhas leituras mais intensas – Quando passar no curso de Letras, vou estudar Leminski.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei início a uma épica que se estende até hoje: encontrar seus livros, ler. Estudar e entender a sua obra – extensa, contraditória. Passei no curso de Letras e minha iniciação científica é sobre Leminski. A dificuldade maior é de quase não ter diálogo sobre a obra do autor, são poucos os trabalhos e esses se concentram nalgumas obras. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Catatau&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Caprichos e Relaxos&lt;/span&gt; são as mais estudadas. Os outros livros estão deixados de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ainda a maior parte dos textos sobre Leminski iniciam falando de sua vida. Hoje Leminski é conhecido por seu temperamento forte, por ter vivido em alta velocidade, por ser um poeta transgressor, anti-canônico, faixa preta em judô, samurai e malandro, polaco polilingue, bandido que sabia latim, cachorro louco. Hoje se sabe mais sobre a vida de Leminski do que de sua obra. Consolidou-se uma mitologia em volta do poeta. Ezra Pound disse: “O mau crítico se percebe facilmente quando começa a falar sobre o poeta e não sobre o poema”. Hoje, apesar de ser bastante citado, conhecido, sua obra não é lida. Nem editada. Nem publicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em carta à Régis Bonvicino deixa bem claro sua aversão por admiradores, entusiastas. Homenagear um poeta, mantê-lo vivo, não bastam exposições, lembranças. É preciso ler a sua obra, fazer circular, promover debates. Não importa se em determinado ano se completam números redondos de morte ou nascimento, é preciso ler sempre. Entender. Não necessariamente no sentido crítico, este também é importante, mas fazer essa obra significar de modo que ela nos signifique. O poeta não é popstar e não pode ser raridade bibliográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse texto é apenas um alerta frente ao entusiasmo que se faz em cima do mito criado sobre a figura de Leminski. Ele tem uma obra, extensa e interessante. Vamos ler.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-7220080826521849649?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/7220080826521849649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=7220080826521849649&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/7220080826521849649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/7220080826521849649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/09/sobre-leminski.html' title='Sobre Leminski'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-5088081630341391592</id><published>2009-04-28T11:32:00.004-03:00</published><updated>2010-05-05T23:06:14.795-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas outros'/><title type='text'>Sol e Anarda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;O sol ostenta a graça luminosa,&lt;br /&gt;Anarda por luzida se pondera;&lt;br /&gt;o sol é brilhador na quarta esfera,&lt;br /&gt;brilha Anarda na esfera de formosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomenta o sol a chama calorosa,&lt;br /&gt;Artarda ao peito viva chama altera,&lt;br /&gt;o jasmim, cravo e rosa ao sol se esmera,&lt;br /&gt;cria Anarda o jasmim, o cravo e a rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol à sombra dá belos desmaios,&lt;br /&gt;com os olhos de Anarda a sombra é clara,&lt;br /&gt;pinta maios o sol, Anarda maios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas (desiguais só nisto) se repara&lt;br /&gt;o sol liberal sempre de seus raios,&lt;br /&gt;Anarda de seus raios sempre avara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Manuel Botelho de Oliveira - poeta barroco, brasileiro.           &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-5088081630341391592?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/5088081630341391592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=5088081630341391592&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5088081630341391592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/5088081630341391592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/04/poema-de-botelho-de-oliveira.html' title='Sol e Anarda'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-9185933752891879319</id><published>2009-03-12T21:12:00.001-03:00</published><updated>2010-05-05T23:05:09.303-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas outros'/><title type='text'>poema de Gregório de Matos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;Conselhos a qualquer tolo para parecer fidalgo, rico e discreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bote a sua casaca de veludo,&lt;br /&gt;E seja capitão sequer dois dias,&lt;br /&gt;Converse à porta de Domingos Dias,&lt;br /&gt;Que pega fidalguia mais que tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja um magano, um pícaro, um cornudo,&lt;br /&gt;Vá a palácio, e após das cortesias&lt;br /&gt;Perca quanto ganhar nas mercancias,&lt;br /&gt;E em que perca o alheio, esteja mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre se ande na caça e montaria,&lt;br /&gt;Dê nova solução, novo epíteto,&lt;br /&gt;E diga-o, sem propósito, à porfia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem em dizendo: "facção, pretexto, efecto".&lt;br /&gt;Será no entendimento da Bahia&lt;br /&gt;Mui fidalgo, mui rico, e mui discreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gregório de Mattos          &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-9185933752891879319?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/9185933752891879319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=9185933752891879319&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/9185933752891879319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/9185933752891879319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/03/poema-de-gregorio-de-matos.html' title='poema de Gregório de Matos'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-877408681074106478</id><published>2009-01-15T23:31:00.001-02:00</published><updated>2010-05-05T23:04:28.089-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas outros'/><title type='text'>soneto de Gregório de Matos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um soneto começo em vosso gabo;&lt;br /&gt;Contemos esta regra por primeira,&lt;br /&gt;Já lá vão duas, e esta é a terceira,&lt;br /&gt;Já este quartetinho está no cabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta torce agora a porca o rabo:&lt;br /&gt;A sexta vá também desta maneira,&lt;br /&gt;na sétima entro já com grã canseira,&lt;br /&gt;E saio dos quartetos muito brabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora nos tercetos que direi?&lt;br /&gt;Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,&lt;br /&gt;Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta vida um soneto já ditei,&lt;br /&gt;Se desta agora escapo, nunca mais;&lt;br /&gt;Louvado seja Deus, que o acabei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gregório de Mattos          &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-877408681074106478?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/877408681074106478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=877408681074106478&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/877408681074106478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/877408681074106478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2009/01/ttulo-do-blog.html' title='soneto de Gregório de Matos'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-974913725005204742</id><published>2008-12-23T11:23:00.001-02:00</published><updated>2011-01-11T22:59:21.732-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas outros'/><title type='text'>Moça linda bem tratada...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;Moça linda bem tratada,&lt;br /&gt;Três séculos de família,&lt;br /&gt;Burra como uma porta:&lt;br /&gt;              Um amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grã-fino do despudor,&lt;br /&gt;Esporte, ignorância e sexo,&lt;br /&gt;Burro como uma porta:&lt;br /&gt;              Um coió.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher gordaça, filó&lt;br /&gt;De ouro por todos os poros,&lt;br /&gt;Burra como uma porta:&lt;br /&gt;              Paciência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plutocrata sem consciência,&lt;br /&gt;Nada porta, terremoto&lt;br /&gt;Que a porta do pobre arromba:&lt;br /&gt;              Uma bomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este poema se encontra, originalmente, no livro Lira Paulistana, publicado em 1945. Na sátira, lembra Gregório de Matos; na forma, o jeito modernista marioandradino de ser.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-974913725005204742?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/974913725005204742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=974913725005204742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/974913725005204742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/974913725005204742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2008/12/moa-linda-bem-tratada.html' title='Moça linda bem tratada...'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3163940442742151546.post-895687967681422504</id><published>2008-12-17T22:44:00.004-02:00</published><updated>2011-01-11T23:01:41.256-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lituraterra'/><title type='text'>Paulo Leminski, malandragem poética</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paulo Leminski, curitibano, poeta. Nasceu dia 24/08/1944. Estudou no mosteiro de São Bento durante um ano: adquiriu cultura clássica, aprendeu latim, grego, hebraico, escreveu seu primeiro “livro” – um caderno com estudos biográficos de vários santos. “Convidaram-no” a sair quando sua coleção de fotos de mulheres foi descoberta. Concluiu seus estudos em um colégio público de Curitiba. Não concluiu curso universitário. Autodidata, adquiriu uma cultura intelectual como poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Personalidade forte, controversa, polêmica. Sempre inquieto, foi professor de história, redação e literatura em cursos pré-universitários, além das aulas de judô; foi jornalista cultural, publicitário. Transitou nos mais diversos gêneros literários: romances, contos, biografias, traduções, ensaios. Toda essa diversidade é reflexo do seu pensamento sobre o fazer poético: em carta à Régis Bonvivino (também poeta), declarou: “Para ser poeta é preciso ser mais que poeta”. Leminski buscou as mais diferentes vivências, atividades e experiências para produzir a sua poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estreou na revista Invenção, mantida pelos concretistas (Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari), quando participou no ano de 1963 da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu primeiro romance, intitulado Catatau, foi publicado em edição independente, no ano de 1975. Apesar da distribuição relativamente restrita, foi muito bem recebido. Pode-se dizer que é uma espécie de “síntese” dos romances Ulisses e Finnegans Wake, de James Joyce; Grandes Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa e Galáxias, de Haroldo de Campos – obras e autores que serviram de referência à Leminski. No mesmo romance, articulou um tipo de linguagem extremamente particular (assim como as obras citadas): com novas construções lexicais (de palavra), sintáticas e semânticas (ambigüidade, ironia); subverteu as categorias narrativas, principalmente pela busca por um novo tipo de enredo e de narrador. A idéia surgiu durante uma aula de história: enquanto discorria sobre as invasões holandesas, pensou na possibilidade (fictícia, óbvio) de Descartes ter vindo ao Brasil junto com a frota de Maurício de Nassau, visto que nesta época o filósofo servia ao exército holandês. Inicialmente escreveu um conto (“Descartes com lentes”), concorreu em um concurso e somente não ganhou por um erro no júri, fato que contribuiu para a produção do livro. Outros textos em prosa também produziu: Agora é que são elas; Guerra Dentro da Gente (romance infanto-juvenil); O Gozo Fabuloso (coletânea de crônicas e contos); Ensaios e Anseios Crípticos, Metaformose, Vida (volume com quatro biografias inicialmente publicadas separadamente: Cruz e Souza, Bashô, Jesus e Trotsky), além de várias traduções (foi o primeiro a traduzir Satyricon, de Petrônio, diretamente do latim para o português, entre muitas outras traduções de diferentes línguas e culturas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximou-se da cultura popular produzindo letras diversas que foram musicadas por muitos: Grupo Blindagem, Chave (ambos de Curitiba, musicaram diversas), Paulinho Boca de Cantor (“Valeu”), Caetano Veloso (“Verdura”), além de Zélia Duncan, Arnaldo Antunes, Moraes Moreira, Itamar Assunpção. Leminski preferiu aproximar-se da Tropicália e MPB (década de 1970) por conta da “pobreza na produção poética da época”: a “poesia marginal”. Dizia que naquele momento havia muito mais poesia em um disco do que em um “livrinho” mimeografado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1983 é publicado seu primeiro livro de poesias por uma grande editora; até então seus poemas eram publicados em edições independentes ou por editoras pequenas, sempre com tiragem limitada. Caprichos e Relaxos, assim intitulado, compreende toda a sua produção poética até aquele momento: desde os primeiros publicados na revista Invenção, até poemas inéditos. O livro foi bem aceito não somente pela crítica, mas também pelo público: chegou a vender mais de 20.000 cópias, e foi considerado o livro do ano, com sucessivas reedições. Distraídos Venceremos, La Vie en Close e O Ex-Estranho são os seus outros livros neste gênero. Sua poesia possui um estilo extremamente particular: ritmo, rimas, linguagem de tal modo articulados que o fizeram conhecido por vários “apelidos”: samurai e malandro, samurai mestiço, polaco polilingue, etc.Também é valido lembrar o seu cultivo pelo haikai (poema de origem oriental constituído por três versos, em que, basicamente, é retratado um momento particular da realidade de forma a ser feita uma reflexão sobre) e a sua “antropofagia” (nos modos de Oswald de Andrade) quando “deglutiu” e criou um estilo próprio para essa forma poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por questões de saúde, agravadas por diversos fatores (morte prematura de seu filho Miguel, suicídio de seu irmão Pedro, além da sua própria inquietação sobre a sua produção), deixou-nos em 7 de Junho de 1989.Este é Leminski: múltiplo autor, poeta único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este texto é singela, porém honesta, homeagem a esta figura que foi muito mais do que poeta: Leminski viveu poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*texto originalmente publicado no Jornal Primeira Página, 24/08/2008&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3163940442742151546-895687967681422504?l=reflexoesabdomentais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/feeds/895687967681422504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3163940442742151546&amp;postID=895687967681422504&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/895687967681422504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3163940442742151546/posts/default/895687967681422504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoesabdomentais.blogspot.com/2008/12/paulo-leminski-curitibano-poeta.html' title='Paulo Leminski, malandragem poética'/><author><name>ricardo gessner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06513788741885575501</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_lMI6W7q59eQ/TDID2aZ2J0I/AAAAAAAAAJg/h2olix_V12w/S220/Snapshot_2009080410_52.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
